Bananeiras, no Brejo paraibano, é uma das cidades históricas mais charmosas da Paraíba. Emoldurada pelas serras da Borborema, a cerca de 140 km de João Pessoa, a cidade combina um Centro Histórico tombado pelo IPHAEP, a imponente Igreja Matriz de Nossa Senhora do Livramento e tradições que atraem multidões: o São João Pé de Serra e a Rota Cultural Caminhos do Frio. Com 23.134 habitantes segundo o Censo de 2022, Bananeiras mantém vivos os casarões do século XIX, a memória da antiga estação ferroviária e uma paisagem de clima ameno que a tornou referência de turismo de serra no Nordeste.



Introdução
Bananeiras está situada na encosta da Serra da Borborema, na região do Brejo paraibano, a uma altitude de cerca de 526 metros — condição que lhe garante um dos climas mais amenos do Nordeste. O município, com área de 255,641 km², fica a 141 km de João Pessoa e a 70 km de Campina Grande, duas das principais portas de entrada da Paraíba. Por sua posição geográfica, a cidade foi ponto de passagem entre o litoral e o interior desde o período colonial, quando sesmarias começaram a ser concedidas na região.
Para o viajante interessado em cultura, Bananeiras reserva um percurso que atravessa mais de 190 anos de história: das sesmarias do século XVIII à cidade elevada a vila em 1833, passando pelo ciclo do café, que tornou o Brejo paraibano uma das regiões mais prósperas do estado. Hoje, o conjunto urbano tombado, a antiga estação ferroviária e o calendário de festas — do São João Pé de Serra ao Caminhos do Frio — fazem de Bananeiras uma parada obrigatória no roteiro histórico do Nordeste.
História
A ocupação das terras onde hoje está Bananeiras teve início no século XVII. Os primitivos povoadores da região receberam sesmarias em 1716, conforme registro histórico, e até 1822 o território pertenceu à jurisdição da vila de São Miguel da Baía da Traição, passando depois ao termo de Areia. O crescimento do núcleo urbano, sustentado pela agricultura e pelo comércio de passagem, levou o governo provincial a elevar o povoado à condição de vila.
Origem do município
Bananeiras foi elevada à categoria de vila em 9 de maio de 1833, por resolução do Conselho do Governo, sendo instalada em 10 de outubro do mesmo ano. O distrito foi criado pela Lei provincial nº 5, de 26 de maio de 1835. A consolidação do município veio com a Lei provincial nº 690, de 16 de outubro de 1879, que concedeu foros de cidade à sede. Ao longo do século XIX, a região do Brejo tornou-se grande produtora de café — Bananeiras chegou a produzir cerca de 1 milhão de sacas por ano —, financiando a construção de casarões e de igrejas que até hoje marcam a paisagem urbana.
Linha do tempo histórica
- 1716 — Concessão de sesmarias aos primeiros povoadores da região
- 1822 — Passagem do território à jurisdição do termo de Areia
- 1833 — Elevação à vila em 9 de maio, instalada em 10 de outubro
- 1861 — Conclusão da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Livramento, em 1º de janeiro
- 1879 — Elevação à cidade pela Lei provincial nº 690, de 16 de outubro
- Início do século XX — Chegada da ferrovia e construção da estação em estilo anglo-francês
- 2010 — Tombamento do Centro Histórico pelo IPHAEP, pelo Decreto nº 31.842, de 4 de dezembro
- 2014 — Restauração da Igreja Matriz, preservando os traços originais do século XIX
Patrimônio Cultural
O patrimônio cultural de Bananeiras é marcado pela herança do ciclo do café e pela tradição religiosa e festeira do Brejo paraibano. A cidade é conhecida como berço de intelectuais — entre seus filhos ilustres está Sólon Barbosa de Lucena (1877-1926), nascido na Fazenda Roma, em Bananeiras, que governou a Paraíba. Essa tradição cultural se expressa ainda na literatura, na música e em manifestações que mobilizam a cidade o ano inteiro.
Tombamentos e Reconhecimentos
- Centro Histórico de Bananeiras — tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (IPHAEP), pelo Decreto nº 31.842, de 4 de dezembro de 2010
- Conjunto urbano e arquitetônico — mais de 80 edificações históricas catalogadas em estilos colonial, neoclássico, eclético e art déco
Patrimônio Imaterial
- São João Pé de Serra de Bananeiras, considerado um dos maiores eventos juninos do Nordeste
- Rota Cultural Caminhos do Frio, circuito de inverno do Brejo paraibano do qual a cidade participa
- Tradição da festa da padroeira Nossa Senhora do Livramento, celebrada em janeiro
- Cultura do café e dos engenhos, herança econômica e social da região
Patrimônio Histórico
O acervo material de Bananeiras concentra-se no Centro Histórico, tombado pelo IPHAEP em 2010. O conjunto reúne mais de 80 edificações dos séculos XIX e XX, que testemunham a prosperidade do ciclo do café. Entre os exemplares estão casarões com fachadas rebocadas, platibandas, janelas em arco e detalhes em ferro trabalhado, que misturam influências coloniais, neoclássicas, ecléticas e art déco — um raro panorama da arquitetura urbana do Brejo paraibano.
Além do casario, fazem parte do patrimônio histórico da cidade a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Livramento e a antiga estação ferroviária, construída em estilo anglo-francês. A memória do transporte sobre trilhos, que ligou o Brejo ao litoral, permanece viva no prédio da estação e no túnel construído na passagem da ferrovia.
Arquitetura
A arquitetura de Bananeiras é um dos grandes atrativos do município. O Centro Histórico preserva um conjunto urbano coeso, com sobrados e casas térreas do século XIX que dialogam com edificações ecléticas e art déco do início do século XX. As fachadas, muitas em tons pastéis, combinam cimalhas, platibandas ornamentadas e portas e janelas de madeira, criando ruas fotogênicas que descem a encosta da serra.
A antiga estação ferroviária é o exemplar mais singular: o prédio em estilo anglo-francês, com telhado em duas águas e elementos construtivos característicos, foi transformado em um complexo que abriga o Museu da Cidade, uma pousada e um restaurante. Ao longo da ferrovia, o túnel da passagem completou cerca de um século de história e, no período do São João, é transformado em salão de forró.
Museus
A cena museológica de Bananeiras tem como protagonista o Museu da Cidade, instalado na antiga estação ferroviária. O acervo preserva a memória local — documentos, fotografias e objetos que contam a história do município, do ciclo do café e da ferrovia que mudou a vida do Brejo paraibano. A visita à estação é em si uma experiência: além do museu, o prédio abriga uma pousada e um restaurante, e o conjunto arquitetônico em estilo anglo-francês é um dos mais fotografados da região.
Igrejas
A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Livramento é o principal templo de Bananeiras e a padroeira do município. A construção foi iniciada no fim da primeira metade do século XIX, substituindo uma igreja de taipa que existia no local, e foi concluída em 1º de janeiro de 1861, com o financiamento do poder municipal e de proprietários rurais da região. Restaurada em 2014, a igreja preserva os traços originais do século XIX e é o centro das celebrações religiosas da cidade.
Centros Históricos
O Centro Histórico de Bananeiras, tombado pelo IPHAEP, é o coração da cidade. O perímetro protegido reúne mais de 80 edificações históricas, em um conjunto urbano que preserva o traçado original das ruas que acompanham a encosta da serra. Caminhar pelo centro é percorrer um museu a céu aberto: casarões do século XIX, sobrados ecléticos, o casario colorido e a Igreja Matriz compõem uma das paisagens mais preservadas do Brejo paraibano.
- Centro Histórico tombado (mais de 80 edificações catalogadas)
- Conjunto da antiga estação ferroviária e do túnel da ferrovia
Praças
A praça do Centro Histórico de Bananeiras é o ponto de encontro da comunidade e o cenário das principais celebrações da cidade. Em torno dela se distribuem casarões antigos, bares e a vida cotidiana do centro. No período das festas, a praça ganha palcos, barracas e uma animação que atrai moradores e visitantes. É também dali que se tem uma das melhores vistas do casario que desce a encosta da serra.
Monumentos
Entre os monumentos que marcam a paisagem de Bananeiras está o Cruzeiro de Roma, erguido no alto de uma serra a cerca de 550 metros de altitude, próximo à cidade. O cruzeiro, considerado o "portal de entrada" de Bananeiras, oferece uma das vistas mais amplas do Brejo paraibano e é parada obrigatória para quem busca a paisagem panorâmica da região. Outros pontos de destaque são as construções históricas do Centro, que funcionam como verdadeiros monumentos arquitetônicos da memória local.

Mercados Públicos
A tradição comercial de Bananeiras é mantida pela feira livre da cidade, que reúne produtos do Brejo paraibano: queijos, rapaduras, frutas, verduras e artesanato local. O comércio de rua do Centro Histórico, com casarios antigos e lojas tradicionais, é parte da experiência de quem visita a cidade. Nos dias de feira, as ruas próximas à praça ganham barracas coloridas e o movimento típico das cidades interioranas da Paraíba.
Gastronomia Típica
A cozinha de Bananeiras é a do agreste e do Brejo paraibano: pratos fortes, com feijão, milho e carne, e doces que aquecem os dias frios da serra. O baião de dois, feito com arroz e feijão, acompanha carnes como a carne de sol e a carne de bode. As comidas de milho — pamonha, canjica, mungunzá e cuscuz — são presença garantida nas festas juninas. O queijo coalho grelhado e a rapadura, produzida nos engenhos da região, completam o repertório de sabores locais.
Principais pratos: baião de dois, carne de sol com mandioca, pamonha, canjica, mungunzá e queijo coalho grelhado.
Festas Tradicionais
O calendário de Bananeiras é movido por festas que combinam fé, tradição e música. O São João Pé de Serra, realizado em junho, é a maior celebração da cidade e um dos eventos juninos mais procurados do Nordeste, com shows, quadrilhas, fogueiras e as tradicionais comidas de milho — no período, o túnel da antiga ferrovia é transformado em salão de forró. Em janeiro, a festa da padroeira Nossa Senhora do Livramento reúne novenas, procissões e programação popular. Entre julho e setembro, a cidade integra a Rota Cultural Caminhos do Frio, circuito de inverno do Brejo paraibano que movimenta a economia regional com shows, gastronomia e turismo de experiência.
Artesanato
O artesanato de Bananeiras reflete a cultura do Brejo paraibano. Destacam-se os trabalhos em couro, as peças utilitárias e decorativas em madeira e os bordados produzidos por artesãs locais. Nas feiras e nos eventos como o Caminhos do Frio, artesãos da região expõem seus produtos, valorizando a produção manual como parte da identidade cultural do município.
- Trabalhos em couro
- Peças em madeira
- Bordados e rendas
Curiosidades
- O nome da cidade vem das bananeiras que existiam na região, marca que dá identidade ao município desde a origem
- Bananeiras chegou a produzir cerca de 1 milhão de sacas de café por ano no auge do ciclo do Brejo paraibano
- A cidade é berço de Sólon Barbosa de Lucena (1877-1926), nascido na Fazenda Roma e governador da Paraíba
- O túnel da antiga ferrovia, com cerca de um século, é transformado em salão de forró durante o São João
- O Centro Histórico reúne mais de 80 edificações dos séculos XIX e XX, tombadas pelo IPHAEP
- O Cruzeiro de Roma, a cerca de 550 metros de altitude, é considerado o portal de entrada da cidade

Como Chegar
De carro: saindo de João Pessoa, o trajeto de cerca de 141 km é feito pela BR-230 até a região do Brejo e depois pela PB-105. De Campina Grande, são cerca de 70 km, pela BR-104 e pela PB-105, passando por cidades como Lagoa Seca, Esperança e Remígio. De avião: os aeroportos mais próximos são o de João Pessoa (Presidente Castro Pinto), a cerca de 141 km, e o de Campina Grande (Presidente João Suassuna), a cerca de 70 km. De ônibus: há linhas regulares ligando Bananeiras a João Pessoa, Campina Grande e a municípios do Brejo paraibano.
Melhor Época
O clima de Bananeiras é tropical com verão seco, mas a altitude da Serra da Borborema garante temperaturas mais amenas que a média do agreste. Junho é o mês do São João Pé de Serra, a festa mais movimentada do ano. Julho a setembro concentra a Rota Cultural Caminhos do Frio, com temperaturas mais baixas e programação cultural em todo o Brejo. Quem prefere evitar o movimento, encontra na primavera e no início do verão clima agradável e mais tranquilidade no centro histórico.
Quanto Tempo Ficar
O mínimo recomendado é de 1 dia para conhecer o Centro Histórico, a Igreja Matriz e a antiga estação ferroviária. Com 2 dias, inclua o Cruzeiro de Roma, a Área de Proteção Ambiental Roncador e um passeio pelas cidades vizinhas do Brejo. Com 3 dias, é possível aproveitar a Rota Cultural Caminhos do Frio e os engenhos e fazendas históricas da região, em um roteiro mais completo de turismo de serra.
O que Fazer em Bananeiras
Em 1 dia
Comece pelo Centro Histórico: percorra as ruas que descem a encosta da serra, observando os casarões tombados, e visite a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Livramento. Siga para a antiga estação ferroviária, conheça o Museu da Cidade e o prédio em estilo anglo-francês. Almoce com um baião de dois e carne de sol em um dos restaurantes do centro e, no fim da tarde, suba ao Cruzeiro de Roma para a vista panorâmica do Brejo paraibano.
Em 2 dias
Dia 1: Centro Histórico, Igreja Matriz, estação ferroviária e Museu da Cidade, com almoço de comida regional e fim de tarde no Cruzeiro de Roma. Dia 2: visite a Área de Proteção Ambiental Roncador, entre Bananeiras e Pirpirituba, com trilhas e contato com a natureza, e complete o dia com um passeio pelas cidades vizinhas do Brejo, como Solânea ou Borborema.
Em 3 dias
Dia 1: Centro Histórico e patrimônio religioso. Dia 2: APA Roncador e natureza da serra. Dia 3: dedique-se ao calendário local — se estiver em junho, participe do São João Pé de Serra; entre julho e setembro, aproveite a programação da Rota Cultural Caminhos do Frio e as feiras de gastronomia e artesanato que tomam as praças da cidade.

Roteiro Cultural
Roteiro temático de 2 dias pelas memórias do Brejo: no primeiro, percorra o Centro Histórico tombado — casarões do século XIX, Igreja Matriz de Nossa Senhora do Livramento e a praça principal — e conheça o Museu da Cidade na antiga estação ferroviária, encerrando com a vista do Cruzeiro de Roma. No segundo, conecte a história à natureza: visite a Área de Proteção Ambiental Roncador e, conforme a época, viva o São João Pé de Serra ou a Rota Cultural Caminhos do Frio, que levam shows, feiras e gastronomia regional às ruas de Bananeiras.
Dicas Importantes
Centro Histórico: as ruas do centro são íngremes, pois acompanham a encosta da serra — use calçado confortável e caminhe com calma para apreciar as fachadas. Clima: mesmo no verão as noites podem ser frescas; no inverno, leve um agasalho, pois o Brejo paraibano registra temperaturas bem mais baixas que o litoral. Caminhos do Frio: as etapas da rota acontecem entre julho e setembro; consulte a programação para aproveitar shows e feiras. Hospedagem: em datas de festas, como o São João, reserve com antecedência. Natureza: na APA Roncador, respeite as trilhas, leve água e repelente e não deixe resíduos.
Onde Encontrar Informações Oficiais
Prefeitura de Bananeiras: bananeiras.pb.gov.br; Secretaria de Turismo da Paraíba: turismo.pb.gov.br; Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (IPHAEP): iphaep.pb.gov.br; IPHAN: portal.iphan.gov.br; IBGE: ibge.gov.br.
Cidades Relacionadas
Conheça também outras cidades com conexões históricas e culturais com Bananeiras: Areia, vizinha do Brejo e primeira parada da Rota Cultural Caminhos do Frio, Campina Grande, a cerca de 70 km, e João Pessoa, capital do estado, a cerca de 141 km.
Conclusão
Bananeiras condensa o melhor do Brejo paraibano em uma cidade pequena e acolhedora. O Centro Histórico tombado, a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Livramento, a memória viva da estação ferroviária e o Cruzeiro de Roma compõem um roteiro que une arquitetura, fé e história. Soma-se a isso um calendário de festas que movimenta o Nordeste — do São João Pé de Serra à Rota Cultural Caminhos do Frio. Quem sobe a serra e caminha pelas ruas antigas de Bananeiras entende por que a cidade é uma das joias culturais da Paraíba.
Perguntas Frequentes
Referências
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — cidades.ibge.gov.br/brasil/pb/bananeiras/historico
- Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (IPHAEP) — iphaep.pb.gov.br
- Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) — portal.iphan.gov.br
- Prefeitura Municipal de Bananeiras — bananeiras.pb.gov.br
- Rota Cultural Caminhos do Frio — brejoparaibano.com.br