Antonina é uma das cidades mais antigas do Paraná, assentada entre as montanhas da Serra do Mar e as águas da Baía de Antonina. Fundada em 1714 como um povoado de garimpeiros de ouro, a cidade cresceu em torno da capela de Nossa Senhora do Pilar e tornou-se, no século XIX, um porto de exportação de erva-mate entre os mais movimentados do país. O centro histórico, com casarões coloniais, igrejas centenárias e ruas de pedra, foi tombado pelo IPHAN em 2012 e convive com a natureza preservada da Mata Atlântica ao redor.

Vista da Baía de Antonina com a Serra do Mar ao fundo
Baía de Antonina, com a Serra do Mar ao fundo
Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar no ponto mais alto de Antonina
Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar
Casarões históricos do centro de Antonina
Casarões históricos do centro de Antonina

Introdução

Antonina ocupa o litoral norte do Paraná, na borda da Baía de Paranaguá, a cerca de 80 km de Curitiba. O município tem 18.091 habitantes (Censo 2022) e uma área de 890 km², formada por encostas da Serra do Mar cobertas pela Mata Atlântica, rios, ilhas e manguezais. A cidade é porta de entrada para a centenária Estrada da Graciosa e ponto de partida para o ecoturismo na região, mas é no patrimônio construído que se concentra sua identidade: igrejas do século XVIII, casarios do período do café e da erva-mate, um teatro histórico e as ruínas do antigo porto.

História

Os primeiros vestígios de ocupação da região foram encontrados em sambaquis, e índios carijós habitavam o litoral quando os primeiros povoadores se instalaram, por volta de 1648 e 1654, atraídos pelas catas e faisqueiras de ouro dos estuários. Em 1712, o sargento-mor Manoel do Valle Porto recebeu sesmaria no sítio da Graciosa e iniciou a mineração. Em 12 de setembro de 1714, o bispo do Rio de Janeiro autorizou a construção de uma capela em louvor a Nossa Senhora do Pilar — data considerada a fundação da cidade, então conhecida apenas como "Capela", motivo pelo qual seus habitantes ainda hoje são chamados de capelistas.

O povoado foi elevado a freguesia em 27 de fevereiro de 1761, com o nome de Nossa Senhora do Pilar da Graciosa. Em 29 de agosto de 1797 foi criada a vila de Antonina, instalada em 6 de novembro daquele ano, desmembrada de Paranaguá — a data de 6 de novembro é o aniversário oficial do município. O nome homenageia o príncipe da Beira D. Antônio. Em 21 de janeiro de 1857, pela Lei Provincial n.º 14, Antonina foi elevada à condição de cidade.

Linha do tempo histórica

  • 1714 — Autorizada a construção da capela de Nossa Senhora do Pilar; data de fundação da cidade
  • 1715 — Inaugurada a capela-mor da futura Matriz, uma das mais antigas igrejas do Paraná
  • 1722 — Bênção da igreja, concluída com o corpo da Matriz
  • 1761 — Elevação a freguesia de Nossa Senhora do Pilar da Graciosa
  • 1797 — Criação e instalação da vila de Antonina, desmembrada de Paranaguá
  • 1857 — Elevação à condição de cidade pela Lei Provincial n.º 14
  • 1885 — Inauguração da estrada de ferro Paranaguá–Curitiba, com ramal para Antonina
  • 1914 — Início das atividades das Indústrias Matarazzo, novo impulso econômico
  • 2012 — Tombamento do centro histórico pelo IPHAN

Patrimônio Cultural

O conjunto histórico e paisagístico de Antonina foi tombado pelo IPHAN em 2012, reconhecendo uma cidade que materializa os processos de ocupação do Sul do Brasil, ligados ao primeiro ciclo de exploração do ouro na colônia e, depois, à economia portuária da erva-mate. O tombamento abrange o centro histórico e o conjunto das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, com diretrizes para a continuidade da atividade portuária na área. Além do IPHAN, vários bens são protegidos pela Coordenação do Patrimônio Cultural do Paraná.

Tombamentos e Reconhecimentos

  • IPHAN — Centro histórico e conjunto paisagístico (2012)
  • Estado do Paraná — Igreja de Nossa Senhora do Pilar (1999), Estação Ferroviária (2012), Arquivo Municipal (1990), Acervo da Farmácia Internacional (2008), Igreja do Bom Jesus do Saivá (1970), Fonte da Carioca (1969)
  • Estado do Paraná — Serra do Mar, bem tombado paisagístico que abrange o município (1986)

Patrimônio Histórico

Estação Ferroviária de Antonina, tombada em 2012
Estação Ferroviária de Antonina, tombada em 2012

O patrimônio histórico de Antonina está concentrado em um perímetro compacto que se percorre a pé. Além das igrejas e do casario, merecem destaque a estação ferroviária, o antigo complexo Matarazzo, as ruínas do porto e a Fonte da Carioca, que foi o único meio de abastecimento de água da cidade de 1867 até o final da década de 1930. A estação, construída na década de 1910 e inaugurada em 1922 no lugar de uma edificação de madeira destruída por incêndio, é um dos mais importantes exemplares do patrimônio ferroviário do litoral paranaense e hoje abriga um espaço cultural.

Arquitetura

A arquitetura de Antonina combina o colonial português dos séculos XVIII e XIX com o ecletismo e o art déco do período de prosperidade da erva-mate. O casario colorido da Rua XV de Novembro e das vias próximas à Matriz conserva sobrados com platibandas, esquadrias de madeira e detalhes em argamassa. O Theatro Municipal, erguido na segunda metade do século XIX pela Sociedade Teatral de Antonina, é um dos mais antigos do Paraná e um dos pontos altos do ecletismo local. A sede da Prefeitura, também do século XIX, integra o conjunto histórico protegido.

Museus

Antonina preserva a memória documental e cultural da região em espaços de visitação pública.

  • Arquivo Histórico Municipal — Tombado pelo Estado em 1990, reúne documentos da Câmara Municipal desde o início do século XVIII, fotografias e registros da história portuária e da presença das Indústrias Matarazzo
  • Estação Cultural — Instalada na estação ferroviária restaurada, com espaço para exposições sobre a história do transporte e do porto de Antonina

Igrejas

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar vista do mar
Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar vista do mar
  • Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar — No ponto mais alto da cidade, é uma das edificações religiosas mais antigas do Paraná, com capela-mor inaugurada em 1715 e bênção do corpo da igreja em 1722; tombada pelo Estado em 1999
  • Igreja de São Benedito — Construída em 1824, foi o refúgio religioso dos escravos, que nela viam o santo como protetor contra a opressão
  • Igreja do Bom Jesus do Saivá — Monumento do século XVIII, com construção iniciada provavelmente entre 1789 e 1817; tombada em 1970 e restaurada em várias ocasiões

Centros Históricos

O centro histórico de Antonina, tombado pelo IPHAN em 2012, se organiza em torno da Praça Coronel Macedo, onde está a Matriz, e desce pelas ruas XV de Novembro e Carlos Gomes da Costa até o trapiche e o mercado. Calçamentos de pedra, casarios coloridos e ruínas como o Armazém Macedo, antigo depósito de erva-mate, compõem um cenário bucólico diante da baía. O percurso a pé é curto e permite visitar em poucas horas os principais monumentos da cidade.

Praças

A Praça Coronel Macedo, em frente à Matriz, é o coração histórico da cidade e concentra o casario mais preservado. A Praça Romildo Gonçalves Pereira, conhecida como Praça Feira-Mar, fica às margens da baía, ao lado do trapiche municipal, e oferece vista para as ilhas e o manguezal. De lá, ao entardecer, avista-se o pôr do sol sobre as montanhas da Serra do Mar.

Monumentos

  • Trapiche Municipal — Na Praça Feira-Mar, ponto de partida de passeios de barco pela baía e cartão-postal da cidade
  • Ruínas do Armazém Macedo — Restos do antigo depósito de erva-mate, símbolo do ciclo econômico que enriqueceu a cidade
  • Fonte da Carioca — Chafariz tombado em 1969, único abastecimento de água de 1867 à década de 1930
  • Complexo Matarazzo — Conjunto industrial do início do século XX, integrado ao tombamento do IPHAN
  • Mirante do Valente — Diante da Matriz, com vista para o porto Barão de Teffé, o trapiche e as ruínas da orla

Mercados Públicos

O Mercado Municipal de Antonina, em frente ao trapiche, é pequeno e acolhedor, com lojas de artesanato, restaurantes e uma peixaria. Atrativo de visita rápida, é o melhor lugar para provar a culinária local com vista para a baía e comprar lembranças da cidade.

Gastronomia Típica

A cozinha de Antonina é a do litoral paranaense, marcada pelo barreado — carne cozida por dez a doze horas em panela de barro vedada com farinha, servida com arroz, mandioca e banana — e pelos frutos do mar frescos. A casquinha de siri e o peixe grelhado são especialidades dos restaurantes da cidade, e a bala de banana é uma marca registrada local. Entre os estabelecimentos tradicionais estão o Restaurante Buganvil e a Caçarola do Joca, conhecido por suas receitas de frutos do mar.

Festas Tradicionais

  • Festa de Nossa Senhora do Pilar — De 6 a 15 de agosto, celebra a padroeira com novenas, missas, procissão, shows e fogos; tradição que remonta ao século XVIII
  • Carnaval — Um dos mais tradicionais do Paraná, com desfiles de blocos e escolas de samba e o característico desfile das Escandalosas
  • Festival de Inverno — Em julho, programação cultural com shows e apresentações no Theatro Municipal
  • Encenação da Paixão de Cristo — Espetáculo de Páscoa em cenário natural, tradição da cidade

Artesanato

O artesanato de Antonina reflete a cultura caiçara e a história portuária: peças em madeira, rendas e bordados, cerâmicas e trabalhos ligados à pesca. As lojas do Mercado Municipal e o comércio do centro reúnem a produção de artesãos locais, incluindo peças inspiradas na arquitetura colonial da cidade.

Curiosidades

  • No auge do ciclo da erva-mate, no início do século XX, o porto de Antonina chegou a ser o 4º mais importante do Brasil em volume de cargas movimentadas
  • A cidade foi conhecida como "Capela", e seus habitantes ainda são chamados de capelistas
  • O Theatro Municipal recebeu, em décadas passadas, nomes como Sílvio Caldas, Carmen Miranda e o maestro Ary Barroso
  • O Pico do Paraná, o ponto mais alto do Sul do Brasil, com 1.962 metros, fica no limite entre Antonina e Campina Grande do Sul, com acesso pela cidade vizinha
  • Desde 1892 o ramal ferroviário Morretes–Antonina integra o município ao sistema de transporte do estado

Como Chegar

Antonina fica a cerca de 80 km de Curitiba. De carro, as opções são a BR-277 com acesso pela PR-408 ou a centenária Estrada da Graciosa (PR-410), estrada cênica que desce a Serra do Mar entre trechos preservados de Mata Atlântica e é, por si só, um passeio. De ônibus, a Viação Graciosa faz o trajeto a partir de Curitiba. Quem chega pelo trem turístico Curitiba–Morretes pode completar o roteiro até Antonina por uma curta viagem rodoviária de cerca de 15 minutos.

Melhor Época

De março a novembro o clima é ameno e as chuvas são menos frequentes, ideal para caminhar pelo centro e pelas trilhas da região. O verão, quente e úmido, traz o carnaval — o momento de maior movimento da cidade. A Festa de Nossa Senhora do Pilar, em agosto, combina fé, tradição e programação cultural.

Quanto Tempo Ficar

Um dia é suficiente para conhecer o centro histórico a pé, almoçar um barreado e ver a baía do trapiche. Com dois dias, é possível acrescentar o Rio do Nunes, a Ponta da Pita e a Prainha, ou estender a visita à Estrada da Graciosa e a Morretes.

O que Fazer em Antonina

Em 1 dia

Comece pela Praça Coronel Macedo e a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar. Desça pela Rua XV de Novembro, admirando o casario e o prédio da Prefeitura, até o Theatro Municipal e a Igreja de São Benedito. Passe pela Fonte da Carioca e termine no trapiche, com passeio de barco pela baía. Almoce um barreado ou uma casquinha de siri no Mercado Municipal ou em um dos restaurantes tradicionais.

Em 2 dias

No segundo dia, visite a estação ferroviária e seu espaço cultural, e siga para a Ponta da Pita e a Prainha, a cerca de 4 km do centro. À tarde, conheça o Rio do Nunes, no distrito de Cacatu, com sua praia fluvial e áreas de piquenique. À noite, jante à beira da baía observando as ilhas iluminadas.

Em 3 dias

Reserve o terceiro dia para a natureza: caminhadas e banho de cachoeira no Bairro Alto, rafting no Rio Cachoeira ou um roteiro de ecoturismo pela Estrada da Graciosa. Para montanhistas experientes, a subida ao Pico do Paraná, no limite com Campina Grande do Sul, é a aventura máxima da região.

Roteiro Cultural

Um roteiro cultural completo em Antonina começa pela Matriz e desce até o trapiche: Praça Coronel Macedo, Theatro Municipal, Igreja de São Benedito, Fonte da Carioca, Mercado Municipal e Porto Barão de Teffé, com parada na estação ferroviária. O almoço de barreado no centro e o passeio de barco ao fim do dia fecham a experiência. Para aprofundar, Morretes e Paranaguá, ambas com conjuntos históricos tombados, completam o circuito do litoral paranaense.

Dicas Importantes

Calçados: as ruas centrais são de pedra e podem ficar escorregadias depois da chuva — use calçado fechado. Barreado: o prato demora horas para ficar pronto; muitos restaurantes preparam quantidade limitada, então reserve ou chegue cedo. Baía: os passeios de barco saem do trapiche, com opções de curta duração. Natureza: leve repelente e protetor solar para as trilhas e rios, e não deixe lixo nas áreas naturais.

Onde Encontrar Informações Oficiais

Para informações atualizadas sobre Antonina, consulte os canais oficiais: Prefeitura de Antonina (antonina.pr.gov.br), a Secretaria de Turismo do Paraná (viajeparana.com) e o IPHAN (portal.iphan.gov.br).

Cidades Relacionadas

Conheça também outras cidades próximas ou com conexões históricas com Antonina: Morretes, no caminho da Estrada da Graciosa, e Paranaguá, que disputou com Antonina a centralidade portuária do estado e compartilha o litoral e a história da erva-mate.

Conclusão

Antonina oferece, em poucos quilômetros, uma síntese rara do Paraná histórico e natural: igrejas do século XVIII, um centro tombado pelo IPHAN, as ruínas do porto da erva-mate e as montanhas cobertas pela Mata Atlântica. É o tipo de cidade que se conhece em um dia e se guarda para sempre — seja pelo barreado, pelo pôr do sol na baía ou pela sensação de caminhar por uma das vilas mais antigas do Sul do Brasil. Combinada com Morretes e Paranaguá, forma um dos roteiros culturais mais completos do litoral paranaense.

Perguntas Frequentes

De março a novembro, quando o clima é ameno. O verão é quente e chuvoso, mas concentra o carnaval, a festa mais movimentada da cidade. A Festa de Nossa Senhora do Pilar ocorre de 6 a 15 de agosto.
Um dia permite percorrer o centro histórico a pé e almoçar um barreado. Com dois dias, acrescente a baía, o Rio do Nunes e a Ponta da Pita.
O barreado, cozido por horas em panela de barro, é o prato símbolo do litoral paranaense. Também se destacam a casquinha de siri e a bala de banana.
A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, no ponto mais alto da cidade, inaugurada em 1715 e tombada pelo Estado em 1999.
É uma cidade tranquila e considerada segura para turistas. Em áreas naturais e no litoral, vale manter os cuidados habituais com pertences e respeitar as orientações locais.

Referências