Anápolis, a "cidade de Ana", é o terceiro maior município de Goiás e um dos mais importantes polos industriais e logísticos do Centro-Oeste. Nascida no século XIX em torno de uma capela dedicada a Sant'Ana, a cidade cresceu às margens do caminho entre Goiânia e Brasília, unindo a fé dos primeiros moradores a um distrito agroindustrial que concentra o maior polo farmacêutico da região. Não é um destino de turismo de massa, mas guarda um centro com memória, um santuário de forte devoção, museus bem cuidados e os caças da Força Aérea Brasileira que protegem a capital federal. Quem passa pela BR-060 ou pela BR-153 encontra, no caminho entre as duas capitais, uma cidade autêntica do Planalto Central.



Introdução
Anápolis situa-se no Planalto Central do Brasil, a cerca de 1.017 metros de altitude, aproximadamente 50 km de Goiânia e 140 km de Brasília. A posição estratégica entre as duas capitais fez da cidade um nó rodoviário, ferroviário e aéreo: por ela passam as rodovias federais BR-153, BR-060 e BR-414, além de serem o ponto de partida da Ferrovia Norte-Sul e de abrigar a Base Aérea de Anápolis. O município integra o eixo econômico Goiânia–Anápolis–Brasília, a maior concentração urbana da região Centro-Oeste. O clima é tropical com estação seca, mais ameno que o da capital estadual por causa da altitude, com temperaturas médias entre 18 °C e 28 °C ao longo do ano.
História
A povoação de Anápolis tem origem ainda no século XVIII, quando tropeiros e viajantes seguiam em direção às lavras de ouro de Meia Ponte (hoje Pirenópolis) e Corumbá e usavam os córregos e ribeirões da região, como o Ribeirão das Antas, como ponto de descanso e orientação. Com a exaustão do ouro, muitos desses viajantes decidiram se fixar na região. Em 1819, o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire hospedou-se na Fazenda das Antas, em deslocamento entre Bonfim (Silvânia) e Meia Ponte, registrando a existência da propriedade.

O primeiro documento oficial da futura cidade data de 25 de abril de 1870, quando moradores locais doaram parte de suas terras para a formação do Patrimônio de Nossa Senhora de Sant'Anna. No ano seguinte, Gomes de Souza Ramos cumpriu a promessa feita por sua mãe, Ana das Dores de Almeida: em 1859, ao passar pela região com sua tropa, um dos animais que carregava a imagem de Sant'Ana fugiu e, ao ser encontrado, a canastra com a santa não pode ser removida do lugar, sinal interpretado como desejo de permanência. Construída a Capela de Sant'Ana, o povoado floresceu e, em 6 de agosto de 1873, foi elevado à condição de freguesia com o nome de Freguesia de Sant'Anna das Antas, pela Lei Provincial n.º 514.
Origem do município
Anápolis foi oficialmente elevada a vila em 1887 (Lei Provincial n.º 811, de 15 de setembro), desmembrada do município de Meia Ponte (Pirenópolis), com instalação em 10 de março de 1892. Elevada à condição de cidade em 31 de julho de 1907, pela Lei Estadual n.º 320, passou a se chamar oficialmente Anápolis. O nome, sugerido pelo deputado Abílio Wolney, homenageia a padroeira: em grego, polis significa cidade, e Anápolis é a "cidade de Ana". A população atual é de aproximadamente 399 mil habitantes (Censo 2022), conhecidos como anapolinos.
Linha do tempo histórica
- 1870 — Doação de terras para a formação do Patrimônio de Nossa Senhora de Sant'Anna (25 de abril)
- 1871 — Construção da Capela de Sant'Ana por Gomes de Souza Ramos
- 1873 — Elevação à freguesia com o nome de Freguesia de Sant'Anna das Antas (6 de agosto)
- 1887 — Elevação à vila, desmembrada de Meia Ponte (15 de setembro)
- 1907 — Elevação à cidade com o nome de Anápolis (31 de julho)
- 1924 — Anápolis torna-se a primeira cidade de Goiás a receber energia elétrica
- 1935 — Chegada da Estrada de Ferro (7 de setembro)
- 1972 — Início das operações da Base Aérea de Anápolis
- 1976 — Criação do Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA)
Patrimônio Cultural
O patrimônio cultural de Anápolis é marcado pela religiosidade em torno de Sant'Ana, pela cultura goiana do cerrado e pela memória da industrialização. A Festa da Padroeira, celebrada no mês de julho, é o principal evento da cidade, com novenas, procissões e barraquinhas que reúnem a comunidade. Os Salões Anapolinos de Arte, realizados desde 1979, fomentaram a produção artística local e deram origem ao acervo do Museu de Artes Plásticas de Anápolis.
Patrimônio Imaterial
- Festa de Sant'Ana — festa da padroeira, no mês de julho
- Salões Anapolinos de Arte — salões de arte realizados desde 1979
- Gastronomia do cerrado (pequi, baru, cagaita)
Patrimônio Histórico
O patrimônio histórico de Anápolis está concentrado no centro, com o casario do início do século XX, a Igreja Matriz de Sant'Ana e o casarão que abriga o Museu Histórico Aldérico Borges de Carvalho. Construído por volta de 1892, o casarão foi residência e comércio de José da Silva Batista (coronel Zeca Batista), primeiro intendente da vila, e é tombado pela Lei Municipal n.º 1.824, de 1991. O Mercado Municipal Carlos de Pina, em estilo art déco, é tombado pela Lei Municipal n.º 025, de 1984.
Arquitetura
A arquitetura de Anápolis mistura o casario colonial do centro — com paredes de adobe, estrutura de madeira e telhados de barro — com exemplares do art déco e as construções modernas do período de expansão industrial. O casarão do Museu Histórico, erguido no fim do século XIX, preserva técnicas construtivas da época, como paredes de adobe e estrutura de pau-brasil e aroeira. O Mercado Municipal Carlos de Pina, dos anos 1940, é o principal exemplar do art déco da cidade, com cobertura central em madeira e paredes de alvenaria originais.
Museus
Anápolis conta com museus que preservam a história da cidade e a produção artística do Planalto Central.
- Museu Histórico Aldérico Borges de Carvalho — Instalado no casarão do coronel Zeca Batista, em estilo colonial, reúne acervo relacionado à história e ao patrimônio cultural do município, da vila de tropeiros ao polo industrial
- Museu de Artes Plásticas de Anápolis (MAPA) — Criado em 1989, na Praça Americano do Brasil, guarda mais de 700 obras catalogadas, com uma das coleções públicas de arte contemporânea mais importantes do Planalto Central, formada a partir dos Salões Anapolinos de Arte
Igrejas
As igrejas de Anápolis são herdeiras da devoção que deu origem à cidade.
- Santuário e Paróquia Sant'Ana — A igreja matriz, na Praça Sant'Ana, é a principal da cidade. A paróquia, cuja origem está na capela construída em 1871, foi elevada à condição de Santuário Diocesano em 2025
Centros Históricos
O centro de Anápolis concentra a memória da cidade: a Praça Sant'Ana e a igreja matriz, o casario antigo, o Museu Histórico e o Mercado Municipal. A Rua Coronel Batista e os arredores da Praça Americano do Brasil guardam edifícios do início do século XX, enquanto o movimento comercial mantém o centro vivo durante o dia. O passeio a pé pelo perímetro central permite entender como uma vila de tropeiros se transformou em polo industrial sem abandonar a escala humana de suas praças.
Praças
As praças de Anápolis são pontos de encontro e de memória.
- Praça Americano do Brasil — Conhecida como "Praça do Avião", abriga um caça Mirage da FAB, a Biblioteca Municipal Zeca Batista e o Museu de Artes Plásticas (MAPA)
- Praça Cônego Trindade — Praça tradicional do centro, com jardins e áreas de convivência
- Praça Bom Jesus — Uma das praças centrais mais antigas da cidade
- Praça Dom Emanuel — Área central arborizada

Monumentos
Os monumentos mais marcantes de Anápolis lembram a vocação aeroespacial da cidade. A Base Aérea de Anápolis (BAAN), que começou a operar em 1972, tem como função primordial a defesa de Brasília, e sua presença marcou a cidade: em 1973, o município foi declarado Área de Segurança Nacional, condição mantida até 1985. Três caças Dassault Mirage III (F-103), primeiros aviões supersônicos da Força Aérea Brasileira, foram preservados como monumentos públicos: um no acesso à Base Aérea, outro na Praça Americano do Brasil e um terceiro na Vila dos Sargentos.

Mercados Públicos
O Mercado Municipal Carlos de Pina é o coração gastronômico do centro. Em estilo art déco, foi inaugurado em 25 de dezembro de 1951 e tombado como patrimônio histórico em 1984. Ali se encontram frutas e produtos do cerrado, temperos, doces caseiros e o ambiente de comércio tradicional que caracteriza a cidade.
Gastronomia Típica
A cozinha de Anápolis é a cozinha goiana do Planalto Central. O arroz com pequi é o prato de maior identidade, encontrado nos restaurantes do centro e nas feiras. O empadão goiano — recheado com frango, palmito, milho, ovos e queijo — é outro clássico, acompanhado pela pamonha de milho verde e pelo podre de milho. O baru, noz nativa do cerrado, aparece em doces e salgados, e a cagaita é usada em sucos e geleias. As feiras livres da cidade, realizadas em diversos bairros ao longo da semana, são boas portas de entrada para esses sabores.
Principais pratos: Arroz com pequi, Empadão goiano, Pamonha de milho verde, Podre de milho, Doces de baru e cagaita.
Festas Tradicionais
O calendário de festas de Anápolis é dominado pela religiosidade e pela cultura goiana.
- Festa de Sant'Ana — Festa da padroeira, entre 16 e 26 de julho, com novenas, celebrações, procissões e barraquinhas no Santuário Sant'Ana
- Aniversário da cidade — Comemorado em 31 de julho, data da elevação à cidade em 1907
- Festa Junina — Quadrilhas e comidas típicas nos bairros durante o mês de junho
Artesanato
O artesanato de Anápolis e da região do Planalto Central inclui peças em cerâmica e barro, trabalhos em couro e esculturas em madeira. Os Salões Anapolinos de Arte, realizados desde 1979, também estimularam a produção de artes plásticas locais, que hoje integram o acervo do MAPA.
- Cerâmica e barro
- Esculturas em madeira
- Trabalhos em couro
Curiosidades
- Anápolis significa "cidade de Ana", homenagem a Sant'Ana, padroeira do município — nome sugerido pelo deputado Abílio Wolney e adotado oficialmente em 1907
- Foi a primeira cidade de Goiás a receber energia elétrica, em 1924
- A Base Aérea de Anápolis tem a missão de defender Brasília, capital federal
- O DAIA concentra o maior polo farmacêutico do Centro-Oeste e um dos maiores da América Latina, com cerca de 200 indústrias instaladas
- Três caças Mirage III da FAB estão preservados como monumentos públicos na cidade
- A Ferrovia Norte-Sul tem seu ponto inicial em Anápolis
Como Chegar
De avião: os aeroportos de Goiânia (Santa Genoveva) e Brasília (Presidente Juscelino Kubitschek) são os mais próximos, a cerca de 50 km e 140 km respectivamente. De carro: pela BR-060 a partir de Brasília, pela BR-153 ou BR-414 a partir de Goiânia, ou pela GO-222. De ônibus: a rodoviária de Anápolis tem conexões frequentes para Goiânia, Brasília e outras cidades de Goiás.
Melhor Época
De abril a setembro — estação seca, com temperaturas amenas no Planalto Central. A Festa de Sant'Ana, no final de julho, e o aniversário da cidade, em 31 de julho, são os pontos altos do calendário. De outubro a março, as chuvas são frequentes, mas o cerrado fica verde e florido.
Quanto Tempo Ficar
1 a 2 dias. O centro pode ser percorrido a pé em um dia; com mais um dia, é possível conhecer o Parque Ambiental Ipiranga, as feiras e os arredores do cerrado.
O que Fazer em Anápolis

Em 1 dia
Comece pela Praça Sant'Ana e pela igreja matriz, seguindo para o Museu Histórico Aldérico Borges de Carvalho, no antigo casarão do coronel Zeca Batista. Almoce no centro com arroz com pequi ou empadão goiano. À tarde, visite o MAPA na Praça Americano do Brasil, veja o caça Mirage e encerre no Mercado Municipal Carlos de Pina.
Em 2 dias
Dia 1: o roteiro do centro — matriz, museus, praças e mercado. Dia 2: passeio pelo Parque Ambiental Ipiranga, com sua feira de orgânicos às terças, e conheça as áreas de cerrado ao redor da cidade, com observação de aves e vegetação nativa.
Roteiro Cultural
1º dia: Praça Sant'Ana e matriz, Museu Histórico, almoço típico, MAPA e Praça do Avião, Mercado Municipal. 2º dia: Parque Ambiental Ipiranga, feiras da cidade, cerrado no entorno e, se houver interesse, um passeio pelas áreas da logística e do distrito industrial para entender a vocação da cidade.
Dicas Importantes
Clima: O Planalto Central tem dias quentes e noites frescas, mesmo na estação seca; leve roupas leves e um casaco para a noite. Gastronomia: O arroz com pequi é o prato símbolo — experimente com moderação no primeiro contato. Mercado: O Mercado Municipal é melhor pela manhã. Horários: Os museus municipais funcionam em horário comercial, de segunda a sexta. Transporte: Aplicativos de transporte funcionam bem no centro; a cidade é plana e percorrível a pé na região central.
Onde Encontrar Informações Oficiais
Para informações atualizadas sobre Anápolis, consulte os canais oficiais: Prefeitura de Anápolis: anapolis.go.gov.br; Câmara Municipal: anapolis.go.leg.br; IBGE: ibge.gov.br; Diocese de Anápolis: diocesedeanapolis.org.br
Cidades Relacionadas
Conheça também outras cidades próximas ou com conexões históricas e culturais com Anápolis: Goiânia, Pirenópolis (a antiga Meia Ponte, de onde Anápolis se desmembrou), Caldas Novas.
Conclusão
Anápolis é uma cidade que surpreende quem a visita apenas de passagem. Em um dia dá para conhecer o centro, o santuário que deu origem à cidade, os museus e o mercado municipal. Com dois dias, o visitante descobre o cerrado ao redor e entende como a "cidade de Ana" se tornou um dos mais importantes polos industriais e logísticos do Centro-Oeste sem perder a identidade goiana. Entre Goiânia e Brasília, é uma parada que vale a pena — não pela infraestrutura turística, mas pela autenticidade e pela história.
Perguntas Frequentes
Referências
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — cidades.ibge.gov.br/brasil/go/anapolis
- Prefeitura Municipal de Anápolis — anapolis.go.gov.br
- Câmara Municipal de Anápolis — anapolis.go.leg.br/historia
- Diocese de Anápolis — diocesedeanapolis.org.br
- Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego) — codego.com.br/distritos-industriais/anapolis